Quebrei meu jejum em cinema, finalmente. Em épocas de peso-pesados, como "O Código da Vinci" (que somente uma companhia feminina me levará para assistir) e "X-Men III – O Conflito Final" (malditos subtítulos nacionais!), optei pela sugestão (sempre levada muito em conta) de um amigo, e fui assistir "Cachê". Outro amigo meu (atendendo ao mesmo conselho) foi quem agitou a coisa toda, de última hora. Ainda bem que não fomos sozinhos – é um filme que pode gerar HORAS de discussão. Necessária. Não ter com quem conversar sobre o filme depois, seria uma tortura!
É um filme europeu francês (oui!), com atores desconhecidos para nós (salvo, talvez, Juliette Binoche). Uma das coisas engraçadas em assistir filme europeu é o FENÓTIPO dos atores – você NÃO precisa ouvir o cara falar em francês para saber que o cara é de lá. É só olhar o nariz! E os vincos no rosto dos mais velhos, e outras particularidades francas. Há realmente, uma IDENTIFICAÇÃO racial entre os povos europeus, que a gente, acostumados a essa misturada genética daqui, não consegue sacar, e o quanto isso interfere no subconsciente (e no consciente) de uma população.
(As francesas continuam a manter a boa fama que merecem)
O filme pode ser visto de vários ângulos (por isso, se discute se muito depois!),e esse aspecto racial é uma das alegorias. O filme é cheio disso. A história em si é apenas o fio condutor. Mas não deve ser desprezada. Senão, não estaria comentando tão bem = DETESTO filmes puramente alegóricos. Mas esse se salva, graças, sobretudo ao final.
A personagem principal é a uma FAMILIA FRANCESA típica, de classe média (para nós, terceiro-mundistas, média alta), com destaque para o pai. Aliás, percebe-se que não há lá muita diferença entre eles e nós, no quesito família. Aliás, em quase nada há diferenças. Esqueça pontos turísticos, Torre Eiffel e Arco do Triunfo. As locações são avenidas e ruas NORMAIS, iguaisinhas a que andamos aqui, principalmente nas cidades do interior. Gente normal. Podemos nos identificar com eles, seu cotidiano e seus esqueletos escondidos no armário.
Mas os problemas sociais, não. Ainda bem. Praticamente, tudo que hoje assusta o cidadão gaulês está no filme: gente de oura cor pelas ruas, argelinos rancorosos com o passado, mulçumanos obviamente, até frangos (gripados... até isso deram um jeito de encaixar...)! Se sentem ameaçados, mas se sabe quem ou de onde vem a ameaça – ou até se tem mesmo ameaça. E assim, respondem com violência, intolerância, e tomando analgésicos e fechando as cortinas. Mas ainda sob a máscara da civilidade e do orgulho disso.
Tudo isso é subentendido. Você pode passar o filme inteiro sem reparar nessas coisas, apenas concentrado na trama principal – o que já está de bom tamanho. Não é um filme "cabeça", nem nada estereotipado. É um filme para ser visto e debatido depois. Algo cada vez mais difícil nos filmes hoje em dia.
[]s
Sovi, esvaziando a memória cache

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