Meu primeiro contato com Jostein Gaarder começou do jeito certo. Lembro da euforia que levou "O Mundo de Sofia (1991)", pelos idos de 1995/96 (quando foi lançado aqui) ao topo da lista dos mais vendidos. E quando não consegui comprá-lo, fiquei muito puto!
Mas aí, um amigo meu, que já conseguira o seu exemplar, e lido (chegou a fazer um ano de curso superior em filosofia, depois). E também, já havia emprestado. Mas me recomendou outro livro do autor, na mesma linha filosófica-ficcional, tão bom, quiçá até melhor. Ele o havia comprado também, logo depois de ter lido "O Mundo de Sofia", seguindo a boa referência do escritor. E esse livro estava disponível para empréstimo compulsório por tempo indeterminado. Oba!
Até hoje, "O Dia do Curinga (1990)" é um dos melhores livros que já li (assim como "O Mundo de Sofia"). Reli-o agora, após mais de dez anos, e ele ainda me fascinou. O ritmo do livro é bom (não sabem o quanto estranhei o ritmo de "O Mundo de Sofia", quando o li logo depois). Só no finalzinho do livro, se perde um pouco do embalo - mas nada comprometedor. Há várias personagens no livro, em flashback (e em flashback no flashback), passando o legado do Curinga adiante. Cuidado para não se confundir – não há nenhuma página de referência as personagens, como fez Marquês de Sade em "120 Dias de Sodoma". E no presente, o protagonista Hans-Thomas, e seu pai, atravessando a Europa em busca da ás de copas, ops!, digo, mãe. No caminho, vão filosofando sobre quase tudo - perguntas que nos fazemos, ou deveríamos fazer a nós mesmo, nas noites insones. Mas não muito profundamente: apenas prólogos para "O Mundo de Sofia", que germinaria nesse enredo aqui. As relações entre pai e filho vão se definindo, e se entrelaçando com o legado do Curinga, conforme vai sendo passado para Hans-Thomas. E para nós.
Apesar de não ter lido apenas duas vezes, metade das vezes em que li "O Mundo de Sofia", gosto mais desse. Mesmo alguns pormenores saltaram aos olhos agora,
A narrativa é um tanto irregular, afinal, foi um dos primeiros livros do autor. Mas você nota algumas diretrizes de seu pensamento, que ainda norteiam seus escritos, mais "maduros". Frases como "o destinado é uma cobra faminta, que se alimenta de si mesmo" e "se você quer compreender o destino, deve sobreviver a ele" podem ser percebidos nos outros livros do autor, como o próprio "O Mundo de Sofia", "Maya (1999)" (eu arriscaria dizer que é uma espécie de continuação de "O Dia do Curinga – antes da 21º folha, já foram citadas 3 frases do livro anterior, ipso facto – mas vamos esperar que eu o termine primeiro!") ou "O Contador de Histórias (2001)". Alguns, sobrevivem, outros não.
Mas , principalmente, não se deve esquecer que o público para quem o livro foi escrito e destinado, é o infanto-juvenil MESMO. Não adianta - você deve ler com os olhos que você tinha aos 12 anos - olhos que jamais devíamos termos perdido.
[]s
Sovi, fora do baralho

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