Impressionante, como não ouvi NADA hoje a respeito. Não que domingo seja um dia de se ter notícias – de todos os dias alienados, esse é mais alienante. E estou meio "isolado", de qualquer maneira. Tem que acontecer algo muito RUIM para tirar o povo da ilusão de seu fim-de-semana feliz, com seu esporte, seus programas e suas vídeo-cassetadas. Mesmo nas ditas “revistas de domingo”, o famigerado “Fantástico” e seu clone da Record. Não assisti eles inteiramente, mas não ouvi nenhuma chamada ao assunto. Ma-le-má, algo sobre a treta no Líbano. Talvez esse, um fator a mais para ao tocarem no assunto.
Gastaram toda saliva televisiva na década passada, "comemorando" os 50 anos. Mesmo ano passado, sexagenária, a data quase que passou em branco. Houve uma ou outra homenagem, documentário e afim. Mas a tendência geral é esperar os 75 anos... Ou centenário. Essas divisões de tempo que a mente humana tira do chapéu, dando mais destaque que datas “quebradas”, como 61 aninhos.
Hiroshima é uma data especial demais para parar no limbo, desse jeito. Se a morte de todas aquelas pessoas serviu para algo além de estatística e resultados comparativos de teste nuclear, é o aviso que nos deixaram. Se as imagens que a TV nos mostra dos bombardeios sobre o Líbano nos choca, imagine que tudo isso não passa de cócegas frente a uma arma de destruição em massa atômica.
Nasci e meio a Guerra Fria, e mesmo pivete, aquela aura de Guerra Nuclear era bem palpável, principalmente para mim, que gostava de literatura, sobretudo ficção e ciência. Lembro de ter lido uma biografia de Einstein, onde parte da carta que ele havia escrito a Roosevelt, em prol da pesquisa para a confecção da bomba atômica. E como seus cálculos ajudaram a atingir aquela meta. Nesse momento, o via não só como o gênio, mas também como herói de guerra. E que devia ter orgulho por ter ajudado na vitória sobre o Eixo. Ledo engano. Foi só ler mais umas páginas. A verdade, foi bem outra: Einstein, depois de saber que os nazistas estavam longe demais para ter armamento nuclear, ainda quis impedir a pesquisa. Mas já era tarde demais. Mesmo sendo um pivô desse drama todo, ele nunca se perdoou. Ficou taciturno e magoado, descarregando tudo no seu violino, que sempre tocava para espantar a tristeza. Tocou a vida toda.
Essa reação me alertou sobre o drama. Não precisei assistir "The Day After" nenhum para isso (aliás, nunca o assisti – dormi quando passou no SuperCine). Bomba nuclear é um horror que mal temos noção. Pior, acham que tudo "passou". Hoje, só há guerras "tribais", onde só se usam armas "convencionais" (termo que nunca consegui compreender). Gente pobre, que só tem seus AK-47 e seus distantes sonhos nucleares.
O Paquistão tem a bomba. A Índia não só tem como agora tem o aval do Congresso Americano para comprar combustível nuclear dos EUA. A Coréia do Norte e o Irã têm programas, e gente disposta darem o comando "RUN", depois de compilado. Israel também deve ter a sua, há algum tempo. O dedo da Golda Meir deve ter coçado sobre o botão vermelho, quando foram cercados pelos árabes na guerra do Yom Kippor. Coceira forte o suficiente para fazer o Egito, o único que conseguia peitar na área, na época, dar para trás. Esses dedos devem coçar até hoje...
Gente "rica" também, não se esqueçam – a Europa toda tem das suas. Temos a França, por exemplo, ainda atomizando atóis no meio do Pacífico. E os EUA, com seu arsenal crescente, mesmo depois da URSS, não só parar a corrida armamentista, como começar um desarmamento UNILATERAL – logicamente, ignorado pela indústria bélica americana.
Hoje, as pessoas se preocupam com terrorismo... com se a morte de um punhado significasse algo, em comparação. Devem se preocupar sim, afinal, sse pdoe se o estopim – ou uma desculpa. Preocupam-se com guerra bacteriológica. Contra ela, temos a medicina, as vacinas, e em última análise, ao menos alguma coisa sobrevive – nem que sejam as próprias bactérias! Mas, o que temos contra a radioatividade? Nem as baratas sobrevivem – elas vivem MAIS UM POUCO, só isso.
[]s
Sovi, que não tem anda nesse mundo que não saiba demais

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