Creio que após terminar de ler o "O Futuro Começou" (incluindo as histórias), tive vontade de continuar a ler contos asimovianos. Por sorte, foi me devolvido um dos meus empréstimos mais "caros", em relação a meus livros: “O Cair da Noite”.
Esse e um dos livros mais antigos que possuo. Foi por volta de 1985 que foi comprado. Estava atrás de "Eu, Robô" - que estava muito caro para nós, no Circulo do Livro. Como não foi encontrado, acabei aceitando outro livro, do mesmo (ate então, apenas recomendado) escritor, com muitas páginas (para valorizar o preço pago) e com capa chamativa, que evocava naves e ação interestrelar.
Eu tinha 10 anos quando tentei ler. Nem tinha vocabulário para ler a 1a história - a única que li então. Li, mas não a entendi picas. Custou para entender que não era a Terra, que não eram terráqueos e toda a "falação" do texto. Ao invés de ação espacial, falava-se sobre sociedade, ciência e loucura, onde ninguém sabia o que era a noite, e um grupo de cientistas debatia enquanto esperava o apocalipse.
A história me perturbou pelo menos o pouco que compreendi. Acabei deixando o livro de lado por mais de dois anos. Mas a história ficou em minha cabeça. Depois de ler muitos outros livros, inclusive de Asimov (“Viagem Fantástica II"), voltei ao volume.
Foi ai que pude apreciar realmente a história, merecida mente dada como um dos melhores contos de ficção já escritos, e talvez o melhor de Asimov. E difícil saber, lendo esse compendio - aqui temos a coleção dos melhores contos do autor, reunidos. Particularmente, sou mais "A Anfitriã" e "O Homem em Cultura" me impressionaram bem mais. Mas todos os contos são tão bons, ou possuem particularidades que a tornam ainda mais interessantes.
A grande fórmula de Asimov talvez seja, não só a “plausibilidade científica”, que requer qualquer história para ser considerada ficção científica. Ele une um bom conhecimento de história antiga (“eu vejo o futuro repetindo o passado... eu vejo um museu de grandes novidades”), crítica social e resolução lógica que não depende de “tirar do chapéu” o desfecho da narrativa. Além da fluência e bom humor mais que característico.
Sou meio suspeito em avaliar. Afinal, ler um dos maiores escritores de ficção científica, já em sua(s) maior(es) história(s) de cara, impressionaria qualquer um.
O conteúdo do volume, com as datas de publicação (e que devem seguir as datas de escrita) é:
- “O Cair da Noite” ("Nightfall")- 09/41.
- “Manchas Verdes” (“Misbegotten Missionary”) - 11/50.
- “A Anfitriã” ("Hostess") - 05/51 (daria uma ótimo enredo a Cris Carter!).
- “O Homem Em Cultura” (“Breeds There A Man...”) - 06/51 (somente Shayaman poderia contar essa história no cinema!).
- “O Tubo da Morte” ("The C-Chute") - 10/51.
- “Por Uma Boa Causa...” ("In A Good Cause" )- 12/51? (um ótimo
roteiro para Oliver Stone, se um dia fosse dirigir uma ficção!).
- “E Se...” ("What If...")- Verão/52.
- “Sally” (idem)- Mai-Jun/52. (Stephen King a leu antes de escrever “Christine”?)
- “Moscas” ("Flies") - 06/53.
- “Ninguém Aqui, Só Nós...” ("Nobody Here But... ") - 09/53(?).
- “Um Dia Tão Belo” ("It's Such A Beatiful Day ") – 1954. (esse é o meu futuro idílico - Asimov também achava, apesar de muitos considerarem um pesadelo)
- “Fura-Greve” ("Strikebreaker") - 01/57.
- “Ponha O Pino A No Furo B” ("Insert Knob A In Hole B") - 12/57 (A mais rápida. A mais curta).
- “O Feiticeiro Moderno” ("The Up-To Date Sorcerer") - Jul/58 (Uma nova versão para “O Feiticeiro”, de Giulbert & Sullivan. Vão reconhecer vários filmes sobre o tema, na hora).
- “Ate A Quarta Geração” ("Unto The Fourth Generation")- 4/59.
- “O Que É Essa Coisa Chamada Amor?” (“Playboy And The Slime God”) - 03/61 (Asimov escreve até para a Playboy!).
- “A Máquina Que Ganhou A Guerra” ("The Machine That Won The War") - 10/61.
- “Meu Filho, O Físico” ("My Son, The Physicist!") - 02/62.
- “Olhos Fazem Mais Do Que Ver” ("Eyes Do More Than See ") - 04/65.
- “Segregacionista” ("Segregationist") - 1967.
Leitura obrigatória para os iniciados e para se iniciarem. Pechincha em qualquer sebo!
[]s
Sovi, o anfitrião

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