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quinta-feira, outubro 12, 2006

Maya

Sou uma fofinha sexy surrealista

Já conhecia o termo “maya” (leia-se maJa, esse "y" tem som de jota, como em "yaveh"). Tanto o termo da mitologia hindu quanto da famosa obra de Goya (mas nunca usei o programa). Uma vez, a Superinteressante lançou um "pôster central" com o quadro "La Maja Desnuda". Ao se colocar contra a luz, todo o sistema muscular podia ser visto. Foi o que me (nos) salvou de uma reprimenda das tias no primeiro grau. Para gente de fora (e para a molecada do ginásio) era como abrir a Playboy. As professoras do colégio não ficaram lá muito contentes, mas a professora de ciências ficou do meu lado...

Sempre gostei dos livros de Jostein, até agora. “O Dia do Curinga” e “O Mundo de Sofia” são de cabeceira. Quando li a sinopse de “Maya”, fiquei muito interessado. Primeiro, porque parecia propor uma união entre filosofia e diversas teorias cientificas, principalmente sobre a evolução da vida. Parecia também querer traçar uma linha direta entre a vida pré-cambriana e a humana, mostrando passo a passo a evolução dos indivíduos, e o quanto isso seria impossível, se assim não realmente o fosse. Uma proposta que o próprio autor já havia posto, em livros anteriores, em minha mente: de ser o atual ápice de uma serie imemorial de vencedores, que sempre deram um jeito de sobreviver para passar seu legado genético adiante. Não só meus pais e antepassados mais imediatos na história, que passaram por imigrações, guerras, pestes e toda sorte de privações, mas adentrando no plano animal, que também tiveram de passar por glaciações, as grandes extinções do cretáceo e do permiano, retrocedendo ate a molécula primordial, que de alguma maneira não foi dissolvida na sopa primordial, e consegui se duplicar. Qualquer raio ultravioleta, qualquer predador mais esperto ou mesmo algum acidente de percurso nesses milhões de anos, e não estaria escrevendo agora. Como diria o Dr. Manhathan, somos um milagre termodinâmico.

E ainda parecia ser a continuação direta do meu adorado “O Dia do Curinga”.

Parecia, parecia e parecia. Esse e o mundo de “Maya”. O mundo das aparências. O mundo das ilusões. Tudo o que parecia, até se cumpre. Mas não da maneira que e esperado.

Para começar, o principal articulador e um chato de galocha... Não há outra definição. E isso torna o livro chato também! Há momentos em que começa a discutir com um geco (sic), em sessões intermináveis de papo furado filosófico misturado com crise de meia idade do homem moderno. Se essa personagem e um alter- ego do autor, ele deve estar em crise existencial de meia idade das bravas. Fora que deve ter passado por alguma perda na família, algo como a morte de uma filha, ou algo tão triste quanto. Não só esse fato e tratado nesse livro, como em "Através do Espelho". Preciso verificar a biografia do escritor, e tirar a duvida.

(Anne Rice escreveu sua obra prima “Entrevista com o Vampiro”- muito superior a qualquer coisa que poderia escrever como provou em seus outros trabalhos - após a perda da filha. Cláudia, talvez a personagem que mais me fascinou até hoje, nasceu dessa tragédia)

Mas no caso de "Maya", não há nenhuma obra prima aqui. Mesmo as personagens mais interessantes – a própria Maya e se companheiro Jose, só o são porque fazem sua versão do “Jogo do curinga”, através da história. Pena que são (mais) retratados pelo chato do argumentador, o que compromete tudo... A verdade e que não gostei do livro. Quem sabe um dia, eu o releia com outros olhos. Nas não terá prioridade, eu garanto. Principalmente pelo final, em que o autor usa de recursos que não aprovo. Há uma inversão no epílogo, escrito pela personagem “John Spooke”, o verdadeiro alter-ego do próprio Jostein. Há um embuste aqui. Mas o que se esperava no reino de maya, o mundo das ilusões? E quem conduz a historia, conduz a ilusão. Ate mesmo o Curinga, nada pode fazer, a não ser testemunhar. E dançar conforme as cordas o conduzem.

[]s
Sovoya

(Em seguida, li e terminei “Através do Espelho”. Logo, publico aqui meu parecer. Está escrito, mas aguardando vez no meu Rascunho. Que a cada dia, parece fila do INSS. Quase comprei “O Livro das Religiões”, mas deixei quieto – overdose de Jostein pode comprometer meu julgamento)

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