Se eu estava reclamando sobre a pouca atenção dada esse ano sobre o bombardeamento nuclear em Hiroshima e Nagasaki, mês passado, aqui esta uma possível resposta. Hoje, como todo o MUNDO sabe, faz cinco anos que os EUA tiveram sua própria hecatombe. Não chegou a 0,00001% do que infligiram ao Japão, 61 anos atrás. Ou mesmo o custo de vidas e dinheiro que houve depois, nesses cinco anos pós-traumáticos. Mas foi nesse dia 11/09, fizeram o que TODOS achavam impossível. Aquilo que os americanos (sobretudo, seu governo) jamais cogitariam. Alguém os feriu.
Meu lado ser humano tem completo e total repúdio a esse ato terrorista. Assim como tem completo e total repúdio a política intervencionista norte americana, anterior e posterior a essa data. Foram quase três mil pessoas mortas. Pessoas comuns, com familia, contas a pagar e que tinham de chegar cedo no trabalho. Mas, visto agora em retrospecto, comparando com as demais guerras que pipocam pelo Mundo (muitas, bancadas descarada mente pelos americanos) e o próprio saldo que Bush causou nesses seus anos de governo, esse número de vidas chega a ser irrisório. Pode tentar argumentar que se tratava de pessoas comuns". Mas o soldado que esta nas trincheiras de Tora Bora ou no bairro sunita do Iraque, além dos próprios afegãos e iraquianos também são "pessoas comuns". Todos são pessoas. Não existe essa história de pessoas comuns. Ninguém merece ter a vida interrompida sobre qualquer pretexto.
Mas a minha parte humanitária pára aqui. Garanto que as vítimas e famílias terão todas as homenagens que merecem. E toda atenção da mídia. Afinal, esse é o ponto que todos querem tocar - o sentimentalismo daqueles que viveram (e morreram) a tragédia. Só que essa tragédia não foi um fenômeno natural, como o Katrina. Nem foi um ato de um supervilão hollywoodiano em começo de filme. Como toda a mídia parece se esforçar para aparentar. O que causou toda a desgraça foi algo bem diferente. E que todos, sobretudo os norte americanos, não querem encarar. Só se mostra como as pessoas morreram. Ou sobreviveram. Mas não porque foram atacadas.
(Estranhamente, só se fala nas Torres Gêmeas. O Pentágono mal é citado)
A verdade e que Bin Laden é um monstro, sim. Mas um monstro criado pelos próprios americanos. E que, seguindo a inexorável lógica dos monstros, se volta contra seus criadores. Não me refiro apenas ao treinamento dado pela CIA e ao financiamento americano para a então embrionária Al Qaeda, quando esses promoviam ataques terroristas (a pessoas comuns... mas algumas pessoas são mais comuns que outras...) a nações não alinhadas aos interesses americanos. E depois descartado, quando perdeu sua utilidade.
Mas é preciso ainda mais que apenas revanchismo. É preciso uma inspiração diferente para fazer com que alguém levante em um belo dia, e resolva explodir aviões comerciais em edifícios cheios de pessoas (aviões e edifícios). É preciso acreditar de forma tenaz em uma ideologia, ter força de vontade, caráter, carisma e disciplina. Lembrando que Bin Landen, ainda por cima, desistiu de curtir uma vida idílica, que toda sua fortuna podia propiciar, com zilhares mulheres, concubinas, haréns e todo conforto possível, para viver em cavernas, lugares remotos e sempre em transito, já que é o hokem mais procurado no mundo, perseguido pelas autoridades do mundo inteiro. Tudo para combater o que considera "o Mal". Talvez por ironia (ou não), é o arquétipo do herói idealizado pelos próprios americanos. Como diz um amigo meu (que eu gostaria de citar, mas não sei se devo), Bin Laden é o “Bruce Wayne"!
Sim, talvez haja certa admiração por ele nessa declaração. Da minha parte, há. Duvido que, lá no fundo, a maioria das pessoas, principalmente aqui no Terceiro Mundo, também não sinta essa admiração. Primeiro não foi no nosso quintal que se derrubou os prédios. Foi no quintal dos riquinhos da rua de cima. E quando se trata de americanos, sabemos muito bem de que lado do cano da metralhadora do Rambo estamos - por mais que gostaríamos de estar junto ao cara de boca torta que está atrás da culatra.
Mas convenhamos: ele conseguiu, com poucos recursos (como qualquer coisa comparada ao país mais rico da Terra), e ainda usando os recursos de seu inimigo contra ele mesmo!, o que os EUA tentam desde então, e nem chegaram perto. E fazendo muito mais estrago que esse, com todo seu poderio militar e econômico. E, até ouso dizer, com menos desperdício de vidas de seus inimigos!
Ele mesmo, não lucrou tanto com isso. Poderia apostar que não esperava que as torres desmoronassem. Lembro da cara que ele tinha, quando admitiu o ataque. Já Bush, tirou a égua da sombra. Logo em seguida aos ataques, conseguiu aprovar o escudo de defesa anti mísseis, com uma orçamento de 300 bilhões. (TREZENTO BILHÕES!!!) de dólares INICIAL (como se terrorista usassem mísseis balísticos intercontinentais) , mandando diversos acordos nucleares às favas (e agora, quer ter moral sobre os outros), invadiu o Afeganistão – que o próprio Clinton havia mandado bombardear, na vã tentativa de desviar a atenção do povo norte americano para uma certa CHUPADA HISTÓRICA; e, de qbra, aumentou seu quintal petrolífero, com o Iraque, depondo seu antigo aliado Saddam Hussein.
Os Estados Unidos continua inatingível. Mas seu povo, não pensa mais assim. Esse talvez seja o grande objetivo alcançado pelo terrorista. O que fez com que pensassem melhor sobre seu próprio papel, e o preço que (os outros) pagam pelo “american way of life". Pessoas lançadas a uma vida miserável, sem perspectivas e esperança de dias melhores, têm poucas coisas a se apegarem. Religião é uma delas – se essa vida é uma bosta, melhor garantir a próxima. Daí, para o fanatismo, não resta mais nada. Só um alvo. E nada melhor que os EUA, não só por sua posição predadora da economia mundial, como também pelo esbanjamento que sua sociedade demonstra.
E falando em sociedade, vale a pena citar que, apesar do Ocidente não entender muito bem a psique do médio-oriental, esse entende melhor a do outro. Vale citar uma das mulheres-bombas chechênias, que participou daquele seqüestro-monstro no teatro russo em 2002. Quando inquirida por um dos seqüestrados (e que sobreviveu, oviamente) do porque ele estava sendo ameaçado, e se ela realmente achava que a culpa era dele, um “homem comum", ela responde: “Sim, Vocês escolhem seu governo". E ela está certa! Não há desculpa na Democracia. Seja por votação, omissão ou aceitação, nós elegemos o governo. Essa responsabilidade é algo que ninguém quer encarar. Somos responsáveis pelas decisões de nossos líderes, e não os contrários, como gostariam que fosse. Mesmo naquela eleição roubada, que colocou o Bush no poder. Todo povo tem o governo que merece. A reeleição de Bush corrobora isso.
[]s
Sovi, aka taleban

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