Entedem porque eu olhei o Harry Potter com tanta desconfiança? A primeiro momento, não passava de um plágio açucarado para o público infantil, escrito por uma aproveitadora de idéias alheias... Tive a primeira edição de “Pedra Filosofal em mãos”, e a recusei....
Demorou mais de seis meses para que eu lesse o livro – mas só depois de bem recomendado e emprestado por um amigo fidedigno. E já que tinha uma viagem de ônibus (onde não consigo dormir, não importa quanto tempo dure), vamos lá...
E não é que o livro me surpreendeu? Havia lá algumas semelhanças (e influências) com “Os Livros da Magia”, mesmo, mas até aí, havia semelhanças entre a personagem de Gaiman e outros bruxo-mirins... é algo do imaginário coletivo inglês, pelo jeito. A autora constrói muito bem o enredo, criando um mundo mágico totalmente independente, colorido e deveras original, bem diferente do mundo sombrio e perverso/pervertido que Tim Hunter enfrenta.... As personagens também ganham certa profundidade, o que é de se admirar numa obra para um público pré-adolescente. E com o velho e bom humor negro inglês... Um livro legal.
Mas só legal. Quebrou meu tabu, e passou a ser uma boa sugestão para presente. Mas não tive menção de continuar a série. Havia vários outros livros para ler – 2000 foi o ano em que li “O Senhor dos Anéis”, e nova tradução. E seqüências costumam ser inferiores.. E só no início de 2001 que voltei a ter interesse na série. A sorte é que o Submarino estava vendendo “packs” com o 2º e 3º volume juntos, por um preço bem camarada. E eu tenho problemas a recusar uma pechincha....
Li o segundo livro meio “desencanado”. O livro foi melhor que imaginava, mas não chegou a me empolgar. A idéia era boa, as personagens evoluíram, com destaque a Snape! Já havia reparado nele no primeiro livro, mas um ”anti-clímax” em sua relação com Harry, no final do último livro fez com que essa atenção se arrefecesse. Nesse livro, ele se “redime”, principalmente na parte do “Clube de Duelos”. Mas no geral, achei muito parecido com o primeiro, e provavelmente teria deixado a série de lado por mais um bom tempo, se já não tivesse comprado o 3º volume.
Aí a coisa muda. “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” (note que fiz questão de escrever o nome completo do livro) deu um salto qualitativo TÂO GRANDE, seja em complexidade da trama, construção de personagens, como na forma com foi escrita e até em relação a empatia com o leitor, que me pegou desprevenido. Foi um dos melhores livros que li, não esse ano, mas de todas as minha leituras – o que não é um elogio vão.
Nesse momento, já saiu “HP and the Globet of Fire” lá fora, e, pela primeira vez, aguardo coma ansiedade a publicação de um livro! Isso é sem precedentes. No entanto, parece estar se iniciando uma “harrymania”, com o filme (americano, e conseqüentemente, americanizado) do primeiro livro sendo filmado, e com toda a campanha maciça de marketing que isso irá trazer. Temo que a massificação mercadológica possa comprometer a qualidade dos próximos volumes da obra.... justo agora que comecei a apreciar! Mas conto como bom senso inglês para impedir isso.
[]s
Sovvy Potter
(escrito em 14/06/01, mas não publiquei em qualquer lista ou fórum. É a primeira nota original do BLOG, apesar de não ser - ainda - atual)

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