Powered By Blogger

domingo, abril 30, 2006

KO Memories

Pechincha! Três em um! É tradição familiar, assistir filme sábado a noite e/ou domingão a tarde. Agora, em DVD. E sobra p/ mim a ingrata tarefa de pegar (e pagar) o filme na locadora. Ingrata, porque tenho que pegar algo que entretenha toda a família... por essas e outras, deixei o “21 Gramas” na prateleira... e acabei pegando “Bad Boys II” (A Missão?)... Acabei passando pela sessão INFANTIL, atrás do famigerado “Rei Leão 3” (A Revanche?). Por sorte, ele não estava lá. E, por trás de DVDs Disney e afins, topei com uma capa escrita KATSUHIRO OTOMO, mocozada.

O DVD chama-se “ Katsuhiro Otomo apresenta MEMORIES”, e traz três histórias (um tanto antigas) dele, dirigidas por outros (bons) diretores atuais, tanto do cinema quanto do anime. Um tesouro escondido, e tanto!.

Temos 3 histórias, cada uma bem diferente da outra, tanto o estilo da história quanto o próprio traço do desenho. Três momentos na carreira dele (provavelmente, pré-Akira, mas o documentário que explica tudo do DVD traz apenas legendas em inglês, e não pude pegar direito).

A primeira “Magnetic Rose”, está no melhor estilo das revistas “Heavy Metal”/”Metal Húrlant”. As referências a essa história (além dessas revistas) são óbvias (nem vou citá-las, porque estragariam a história). Mesmo não sendo TOTALMENTE original, uma história que incluem catadores-de-lixo espaciais e cantoras líricas fantasmas, merece ser visto - sobretudo, porque se vê o estilo Katsuhiro por trás de tudo.

Já a segunda história, algo com “Stink Bomb” é, a melhor (na minha opinião). Traz situações absurdas e engraçadas (o q mais surpreende, e por isso, ganhou minha maior admiração), junto com idéias que se assemelham com “Akira”, e toda destruição que isso representa.

Por último, "Cannon Fodder", é o mais impressionante, em termos de animação e de sutilezas na história. Tudo traz mais e mais contrastes, tanto no desenho, quando nas entrelinhas da história. George Orwell impera na história (não tem como fugir a inspiração/comparação). Diferente dos outros, é para assistir e absorver a fábulam, para ficar matutando depois de visto. Como Orwell depois de lido.

Bem, aqueles que puderem ver o anime dando sopa por aí, não deixem de ver! É uma opção e tanto. Nunca deveria estar na sessão INFANTIL, lógico, não é muito indicado para crianças. Mas sabem muito bem em que país estamos... Mas dêem uma espiada nessa sessão, de vez em quando...

[]s
Magnetic Sovis

(enviei esse e-mail para a lista eteca wem 24/10/2004, de modo que devo ter assistido no dia anterior. Fiz várias correções no texto)

sexta-feira, abril 28, 2006

O Futuro Começou... caso não tenha percebido...

Já não era sem tempo... Esse é o último livro de Isaac Asimov que comprei. "O Futuro Começou...", edição da antiga série "FC Hemus". Você encontra muitos livros dessa série em sebos, que engloba vários escritores de ficção científica, não só Asimov. Mas esse exemplar em particular parece ser mais raro, pois nunca o havia visto dando sopa pelas empoeiradas prateleiras.

Trata-se de uma coletânea de contos do Isaac. Como vários outros, da própria série FC Hemus ("O Cair da Noite", "A Terra tem Espaço", etc.). Mas (aí está o primeiro tesouro!) trata-se das PRIMEIRAS HISTÓRIAS que ele escreveu! Um período que o próprio escritor chama de "Era Campbel". John W Campbel (a quem o livro é dedicado) era o editor da revista "Astounding Science Fiction", uma revista que publicava histórias de ficção cientifica na primeira metade do século XX. Ele foi o parâmetro de qualidade que Asimov usou para escrever suas histórias - até depois de pararem de trabalhar juntos. Sob sua tutela, foram escritos "O Cair da Noite" (dito o melhor CONTO de ficção científica já escrita - não confundam com um LIVRO escrito baseado nessa história, e que nunca tive estômago para conferir...), a série "Fundação" (uma das séries de FC definitivas), as histórias dos robôs positrônicos (compiladas em "Eu, Robô", "Os Novos Robôs" - traduzido como "O Resto dos Robôs", nesse livro), entre outros. Mas o engraçado é que a maioria das histórias nesse livro foi REIJEITADA por ele.

Eventualmente, Asimov conseguia vender essas histórias para outros "pulps". Mesmo ficando com o pé-atrás... Afinal, ele precisava (e muito) do dinheiro! Pior que, na maioria dos casos, o cara tinha razão - as histórias eram bem fraquinhas... e até ruins! Mas (aí está o 2o tesouro) temos a oportunidade de explorar outras idéias desenvolvidas por Asimov, e que ele não mais explorou no decorrer na carreira. Como a de "inteligências alienígenas", e sua inter-relação com a espécie humana - Asimov é conhecido por ir contra a tendência natural da ficção científica, de criar raças extraterrestres a torto e a direito, e desenhar uma galáxia dominada apenas pela raça humana. Muitos apontam isso como genialidade, mas no livro, o escritor conta como chegou nesse conceito... é muito divertido!

Esse sim é o verdadeiro achado do livro. Para cada história, Asimov faz um pequeno epílogo, contanto como escreveu a história, como a vendeu e o destino dela. Mas (esse sim o 3o e maior tesouro!) ele também descreve sua vida, entre o fim dos anos 30 e até o início dos anos 50. Conhecemos assim como era a vida do jovem imigrante russo (chegou ao sonho americano aos 3 anos...), criado na PARTE POBRE do Brooklyn, tendo que se virar para conseguir se formar, terminar seu MESTRADO, trabalhar na LOJA DE DOCES do pai, participar do ESFORÇO DE GUERRA - trabalhando nos laboratóriso da Marinha, quando acabou alistado (depois de finda a 2a. Guerra) e (quase) foi enviado para tomar um banho de radiação nos testes nucleares de Bikini, quando conseguiu o doutorado em Bioquímica (há uma história referente sensacional), entre muitas outras.. Chega uma hora que você, simplesmente IGNORA as histórias - e pula direto para os posfácios! Sem querer (querendo) ele faz uma autobiografia, descrevendo sua vida e seu inicio de carreira com o bom humor e sua forma de escrever que o tornaram um dos nomes mais populares do século, tanto na ficção quanto na divulgação científica!

Engraçado é que pediram p/ ele usar um pseudônimo, pois "Isaac Asimov" poderia ser de difícil assimilação pelo público. Tempos depois, ele tinha que PROVAR que "Isaac Asimov" era seu nome verdadeiro, e não um pseudônimo, tão grande era sua aceitação de seu nome perante o público, e o significado que trazia. Essa, e muitas outras histórias da sua vida, que se mescla a da própria ficção que ajudou a evoluir.

[]s
I. Asovimov

(segundo texto original ao blog. Afinal, Asimov merece um destaque esse mês. Foi em abril – de 1992 – que Isaac Asimov faleceu. Mas continua bem vivo em sua obra)

quarta-feira, abril 26, 2006

Chernobyl, 20 anos

Cuidado! Mas você já devia saber disso! Hoje se "comemora" 20 anos do acidente nuclear em Chernobyl, hoje Ucrânia. Eu não poderia deixar de escrever algo a respeito, mesmo que muitos escrevam hoje também.

Lembro que na época, a então URSS estava sob a "Cortina de Ferro" e, nós, ocidentais, da “Era Reagan”. Houve muito estardalhaço político, e falava-se muito sobre o assunto, mas sempre de modo parcial e repetitivo. Demorou muito tempo para que os fatos pudessem ser esclarecidos. Pelo menos, parte. E para que as conseqüências fossem compreendidas. Pelo menos, em parte.

O fato é que houve uma série quase incompreensível de ERROS HUMANOS antes, durante e depois do acidente. Os físicos e engenheiros russos estavam em final de turno, defasados de pessoal por corte de custos, realizando um procedimento que nunca havia sido testado antes naquelas condições, sem poder parar o fornecimento de energia e não confiando nos dados que mostravam os equipamentos e tecnologia obsoletos... Mas nada disso justifica os erros, pois erraram quem os colocou nessa posição e quem lhe deu as ordens, assim como eles próprios, por terem acatado. Quem sabe melhor dos riscos em se mexer com esse tipo de fogo?

Quem viu (e viveu para contar) a explosão do reator, relata um mini-explosão nuclear, que arrancou o teto da instalação e levou tudo abaixo. Aí, chamaram os BOMBEIROS da cidade, para apagar o incêndio. Os bombeiros, sem nenhuma NOÇÃO, equipamento ou preparo para uma emergência nuclear. Começaram a morrer lá mesmo, pro exposição à radiação... mas sem saber!

Afinal, qual a primeira reação de Moscou? ESCONDER o fato... Não alertaram ninguém, nem a população da cidade CIRCUNDANTE, nem mesmo os próprios empregados da usina - sabiam que algo estava errado, mas não sabiam a real extensão da tragédia... afinal, confiavam que seriam alertados pelos seus superiores se algo realmente estava errado... Tentavam conter o fluxo de radiação, despejando produtos em helicópteros, mas os próprios pilotos passavam mal pela radiação,e chegaram até a cair. O povo ainda demorou um tempo para perceber que havia algo errado... Continuavam sua vida normal, irradiados. Passaram mais de 15 DIAS para que alguma providência de fato fosse tomada: fecharam a usina, evacuaram a área e realizaram (ou tentaram) a descontaminação. Aí já era bem depois do tarde demais...

Mikhaïl Gorbatchev (diz ele) queria alertar a tudo e a todos e pedir ajuda internacional. Mas foi impedido pelo politburo, pois estava enfraquecido perante eles pelos rumos que havia tomado sua política da perestroika. Foram quase 20 DIAS até que fizesse um pronunciamento.

A nuvem radioativa foi detectada pelos EUA logo no dia do acidente. A principio, talvez pudessem até ter confundido com um teste nuclear... mas não teria sentido. A URSS até fazia testes nucleares em seu próprio território, mas em lugares afastados e muçulmanos, como o Azerbaijão e Uzbequistão. A Ucrânia era o celeiro da União Soviética,e muito próximo a importante cidade de Kiev, berço do povo russo (fundada pelos vikings-de-água-doce, os Rus, na alta idade média). Era óbvio que era um acidente, e dos mais graves. Mas ficaram na miúda. Problema dos vermelhos... E mesmo depois dessa nuvem atingir os países do Leste Europeu (eram vermelhos ainda). Só que a nuvem continuou seu avanço, atingindo as Alemanhas, Inglaterra, Islândia, Canadá e o próprio EUA (no Alaska), até voltar p/ a URSS, pela parte oriental. Essa nuvem ficou circulado pelas latitudes norte durante MESES, e até hoje há uma leve radiação residual por lá.

Vinde a mim as criancinhas Voltando a região de Chernobyl, o que se viu foi uma legião de pessoas contaminadas e doentes, cidades fantasmas e uma região de morte, onde até cresce alguma vida vegetal e animal, mas perigosamente contaminada e propensa a mutações e aberrações. Os doentes, principalmente as crianças, foram enviadas para tratamento em Cuba, onde muitos estão até hoje. Até hoje, Cuba recebe os doentes de Chernobyl, pois muitos desenvolveram câncer (principalmente na tireóide, já que se alimentaram com alimentos contaminados, já que não foram alertados) e os FILHOS e NETOS dos sobreviventes, que continuam nascendo com sérios problemas de saúde. É importante para o governo (tanto atual, quanto o anterior) deixar bem longe das vistas o resultado final de Chernobyl. E Fidel continua com o apoio dos estados da ex-URSS, que tanto precisa para continuar peitando os EUA. Ao menos, o povo cubano tem um dos melhores serviços de saúde da América, especializado no tratamento ao câncer...

Pense em Chernobyl, reze por Chernobyl, Chernobyl é aqui. Chernobyl não é aqui... Ouve vários outros desdobramentos "positivos". A atenção internacional se voltou para o problema nuclear, e a incipiente política ecológica ganhou fôlego, culminando da evolução dos "Partidos Verdes", na Europa, a Eco-92 e o Tratado de Kyoto. Gorbatchev, por incrível que pareça, saiu fortalecido - o politburo ficou desacreditado, e ele pode continuar sua política que levou ao glasnost. E ao enceramento UNILATERAL da corrida armamentista nuclear Cujo EUA deram um "dane-se" e continuam na corrida até hoje...

[]s
Sovobyl

(primeiro texto original do BLOG. Haverá um documentário hoje na Discovery que não pretendo perder.
Ano que vem, espero escrever sobre os 20 anos do acidente de Goiânia...)

terça-feira, abril 25, 2006

Deus está do lado quem vai vencer

Ele até tentou... Pero no mucho... Mas seu 1234o sucessor pedirá desculpas... Por mais que a situação econômica seja evidente, sempre há a questão religiosa no meio. Mais do que um país isolado comercialmente e politicamente, ele faz parte da "nação árabe", ou melhor, "nação muçulmana". Esse é um enfoque diferente.

É diferente, por exemplo, de uma treta entre Alemanha e França, na 2a. Guerra Mundial. Ambas são católicas, mas a Itália e a Espanha (católicos tb) ficaram a favor de Hitler. E quem deu uma força para De Gaule foi a Inglaterra e EUA (protestantes). Isso mostra que as "facções cristãs" pouco importam no momento do prevalecer das forças econômicas e políticas. Em tempos antigos, era usada como desculpa - nem todos os países eram cristãos; depois para incitar cristãos católicos e protestantes. e agora, pouco importa. A força da Igreja hoje é apenas econômica, pois no máximo, há uma encíclica do Papa, pedindo perdão por ter apoiado Hitler e Mussolini, 50 anos depois do Holocausto. Antes, o Papa podia impedir uma guerra, excomungando um dos líderes (favorecendo o outro, “óvius”). Hoje, não tem esse poder. O que pode ser bom e ruim. Admiro muito o Papa. Mesmo sendo reacionário, temos que admitir que tenha coragem. Mas não vai impedir Guerra nenhuma - mesmo que os EUA ou a Inglaterra fossem católicos.

Já o mundo muçulmano, é completamente diferente. A ótica deles é diferente. Eles não são consumista-materialistas como nós, ocidentais. Eles estão no mesmo patamar que a religião cristã estava, sabe lá, 700 anos atrás (Maomé surgiu por volta de 700 dC, e essa é a diferença de idades entre as Religiões). Nessa época, era fácil arregimentar exércitos contra os "infiéis" na Europa. Hoje em dia, se o Bush dissesse isso, seria (ainda mais) ridicularizado. Afinal, os "motivos morais" que o texano alega, chegam quase a serem "religiosos".

Já do outro lado do Golfo Pérsico, a história é diferente. É muito mais fácil arregimentar voluntários para Homens-Bomba, alegando uma Cruzada Cristã contra o Islã. Mesmo a impressa mostrando o "Saddam dando dinheiro para famílias de Homens-Bomba". Isso é propaganda-de-guerra. O Saddam pode até dar essa grana mesmo, mas se alguém disse que ia dar uma bolada para minha família, se eu amarrar uns quilos de c-4 na cintura e explodir a concentração do Corinthians, eu, ou alguém aqui toparia? É preciso um outro tipo de motivação, um outro tipo de ideologia, para alguém cometer esse ato extremo. Como os monges, que se imolavam em fogo, diante das câmeras, durante a Guerra do Vietnã.

Os muçulmanos também têm as tretas entre eles, divididos entre xiitas e sunitas, entre outras partições, que vivem se pegando. Assim como cristãos católicos e cristãos protestantes jogam bombas em escolas de criancinhas em Dublin. Só que, para a maioria das pessoas, muçulmano é um cara de turbante, que adora a Alá. Como se Alá fosse um ídolo pagão, dentro de uma tenda, no meio do deserto. Nem desconfiam que muçulmano seja um cara de turbante, que adora a Deus - pois isso quer dizer Alá. A doutrina maometana é absurdamente parecida com a cristandade (e com o judaísmo), mas não parece haver conciliação. Afinal, se temos esses preconceitos dos islamitas, imagine o que eles têm da gente? Para eles, todos os ocidentais são cristãos. E o que vem é uma nação cristã atacando um país muçulmano. E assim como generalizamos a eles, também devem nos generalizar. Fico imaginando eu em um avião seqüestrado pela FLI (Frente de Libertação do Iraque), quando o líder me estranha. Aí eu digo: "Sou do Brasil! Pelé! Samba!". E ele: "É cristão ocidental do mesmo jeito. Vai servir como exemplo". E como vou explicar p/ eles que não tenho nada a ver com religião, Deus ou o escambau??? Até tento: "Sou do terceiro mundo como vocês! Sou sul-americano!". Mas o cara que acaba de destravar a metranca diz: "Se tem americano no meio. Passo fogo!".

[]s
Soviomé, o Verdadeiro e Único Profeta

(escrito em 25/2/2003, em resposta a um e-mail na lista Eteca, em uma longa discussão nos tempos pré-guerra do Iraque. Mais uma fez fiquei tentado a mudar o nome "Saddam Hussein" por "Mahmoud Ahmadinejad", mas o registro histórico deve ser mantido. E a atualidade ainda é presente :) )

domingo, abril 23, 2006

Harry Potter - As Primeiras Impressões

Harry fugindo dos harrymaníacos Tim depois de ler O Prisioneiro de Azkaban Confesso que a primeira vez em que ouvi sobre “Harry PoRter”, não fiquei muito entusiasmado. As informações que tinha a respeito não eram muito animadoras. Afinal, eu conhecia Timoty Hunter, criado no inicio dos anos 90 por Neil Gaiman em “Os Livros da Magia”, obra que marcou o nascimento da linha Vertigo da DC Comics – a linha de revistas com teor nada próprio para corações mais puros :)... e a única linha de história em quadrinhos que passei a seguir, quando heróis mutantes e outros do gênero não mais me atraíam (tive algumas recorrências, em obras especiais). Seguiram boas histórias para Tim Hunter em “Livros da Magia“, escrita por um time de argumentistas de primeira (Jaime Delano, Garth Ennis, entre outros mestres do quadrinho do horror inglês), contanto a vida do menino órfão, criado por pais adotivos, magricela, míope, cabelo desgrenhado, cujo animal de estimação é uma coruja branca e que é destinado a se tornar o maior mago de todos os tempos....

Entedem porque eu olhei o Harry Potter com tanta desconfiança? A primeiro momento, não passava de um plágio açucarado para o público infantil, escrito por uma aproveitadora de idéias alheias... Tive a primeira edição de “Pedra Filosofal em mãos”, e a recusei....
Demorou mais de seis meses para que eu lesse o livro – mas só depois de bem recomendado e emprestado por um amigo fidedigno. E já que tinha uma viagem de ônibus (onde não consigo dormir, não importa quanto tempo dure), vamos lá...

E não é que o livro me surpreendeu? Havia lá algumas semelhanças (e influências) com “Os Livros da Magia”, mesmo, mas até aí, havia semelhanças entre a personagem de Gaiman e outros bruxo-mirins... é algo do imaginário coletivo inglês, pelo jeito. A autora constrói muito bem o enredo, criando um mundo mágico totalmente independente, colorido e deveras original, bem diferente do mundo sombrio e perverso/pervertido que Tim Hunter enfrenta.... As personagens também ganham certa profundidade, o que é de se admirar numa obra para um público pré-adolescente. E com o velho e bom humor negro inglês... Um livro legal.

Mas só legal. Quebrou meu tabu, e passou a ser uma boa sugestão para presente. Mas não tive menção de continuar a série. Havia vários outros livros para ler – 2000 foi o ano em que li “O Senhor dos Anéis”, e nova tradução. E seqüências costumam ser inferiores.. E só no início de 2001 que voltei a ter interesse na série. A sorte é que o Submarino estava vendendo “packs” com o 2º e 3º volume juntos, por um preço bem camarada. E eu tenho problemas a recusar uma pechincha....

Li o segundo livro meio “desencanado”. O livro foi melhor que imaginava, mas não chegou a me empolgar. A idéia era boa, as personagens evoluíram, com destaque a Snape! Já havia reparado nele no primeiro livro, mas um ”anti-clímax” em sua relação com Harry, no final do último livro fez com que essa atenção se arrefecesse. Nesse livro, ele se “redime”, principalmente na parte do “Clube de Duelos”. Mas no geral, achei muito parecido com o primeiro, e provavelmente teria deixado a série de lado por mais um bom tempo, se já não tivesse comprado o 3º volume.

Aí a coisa muda. “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” (note que fiz questão de escrever o nome completo do livro) deu um salto qualitativo TÂO GRANDE, seja em complexidade da trama, construção de personagens, como na forma com foi escrita e até em relação a empatia com o leitor, que me pegou desprevenido. Foi um dos melhores livros que li, não esse ano, mas de todas as minha leituras – o que não é um elogio vão.

Nesse momento, já saiu “HP and the Globet of Fire” lá fora, e, pela primeira vez, aguardo coma ansiedade a publicação de um livro! Isso é sem precedentes. No entanto, parece estar se iniciando uma “harrymania”, com o filme (americano, e conseqüentemente, americanizado) do primeiro livro sendo filmado, e com toda a campanha maciça de marketing que isso irá trazer. Temo que a massificação mercadológica possa comprometer a qualidade dos próximos volumes da obra.... justo agora que comecei a apreciar! Mas conto como bom senso inglês para impedir isso.

[]s
Sovvy Potter

(escrito em 14/06/01, mas não publiquei em qualquer lista ou fórum. É a primeira nota original do BLOG, apesar de não ser - ainda - atual)

terça-feira, abril 18, 2006

Neo Americanos

Tio Sam precisa de vocês, trouxas... Neo-Liberais, Neo-conservadores, Neo-nazistas, Neo-judeus, Neo-Baianos... Por aí vai. O prefixo "neo" está cada vez mais utilizado. Será porque traz uma sensação de "novo" (dã!), de uma filosofia antiga e consolidada, porém revisada para o século 21, já trazendo todo um marketing positivo para a ideologia da moda.

Tudo merda. Tudo farinha do mesmo saco. No fim, são sempre os mesmos princípios de antes, porém com um novo nome. Até as justificativas são as mesmas, seja p/ invadir o Iraque, Unir a Raça Pura Ariana, Libertar a Terra Santa ou Cristianizar o Império Asteca. É um pequeno grupo de gente poderosa e influente, que quer mais dinheiro no bolso. E convence o populacho a se matar por isso, em trocas de algumas migalhas, quando muito, ou apenas as convence a seguir esse ou aquele principio moral ou religioso (o que barateia o custo).

Marx estava certo, em estudar os movimentos econômicos, como os fatores que norteiam a História.E esses movimentos não mudaram nada, desde os tempos de Hamurabi. O $$$ é a única fator que faz sentido. Porque o resto é apenas a imbecibilidade humana de olhar p/ o próprio umbigo. Tanto em quem manda, quanto para os paus-mandados.

O que falta a Humanidade é a empatia. Enquanto não desenvolvermos um sentido para isso, continuaremos assim. Quem sabe, quanto não tivermos mais apêndice e dente do siso), 20 dentes na boca e 2,5 m de altura média, não teremos essa capacidade telepática? Ou quem sabe, não podemos pular esse salto evolucionário (hoho), e bolar um aparelho (mesmo um periférico, que use o TCP/IP da Internet) que conecte as mentes das pessoas, como sugeriu o Phillip K. Dick e Arthur C. Clarke? Bem, escritores de ficção científica são, via de regra, otimistas em relação ao futuro do Homem. Creio que é por isso, que não sou escritor de ficção, ou coisa alguma.


[]s
Neo-Sovi

(publicado em uma revoltada tarde em 13/03/2003, na lista Eteca. Voltei a ela depois de três anos, pois continua ainda mais atual. Quase substituí "Iraque" por "Irã", mas sempre prefiro deixar o texto original. O título é novo.)

domingo, abril 16, 2006

Vampirizando a Anne Rice

O fotógrafo sumiu misteriosamente logo após tirar essa foto... Anne Rice é uma boa esritora? Duvido! Não podemos colocá-la num mesmo patamar que um Alan Poe ou John Grisham (autores americanos). Mas, felizmente, ela não se encontra entre Sidney Sheldon ou Harold Robbins atuais, apesar de uma certa tendência a se aproximar deles, ultimamente. Ela estaria no mesmo nível de Michael Crichton, um autor "pop" bem assessorado... Mas alguém que já foi lida por Alan Moore, Neil Gaiman e Garth Ennis merece certo respeito. Não esquentem, pois logo cada um será criticado aqui...

Mas se Anne Rice não é uma boa escritora, ela é uma boa autora. Geralmente, ela escreve boas histórias. Ou, no mínimo, um bom estilo de história, que pode ser reutilizado sempre que os editores pressionarem por novos best-sellers. A fórmula que desenvolveu ao escrever "Entrevista com o Vampiro" (1978) pode ser encontrada em vários livros da série "Cronicas Vampirescas", mas com sérias modificações e evoluções, dando a cada volume uma personalidade própria - personalidade do vampiro que a conta. E mesmo fora da série, como na saga da família Mayfair ("Hora das Bruxas" (1990) e posteriores), Ramsés, o Maldito (1989, que deveria ser um filme!) e, mais intensamente, em "O Servo dos Ossos" (1996) (onde a evolução da fórmula alcança seu ápice) e até em "O Violino" (1997) (se até Sean Connery atuou em "Os Vingadores" (1998), porque ela não pode escrever um livro bosta também?).

As "Cronicas Vampirescas" é sua série mais popular, principalmente em se tratando do gênero terror, uma especialidade inglesa na língua inglesa (hohohoho). Mas é um terror mais íntimo e filosófico, pois parte do ponto de vista dos próprios vampiros, dando a eles tanto as emoções humanas como emoções próprias desses seres - geralmente em conflito um com o outro. Questões como "pode o mal causar o bem", "demônios servirem e amarem a Deus", "Deus está morto" e "sou o que sou, e dane-se o resto" permeiam os primeiros livros. Sistemas filosóficos e religiosos "humanos" são debatidos, desafiados ou adaptados por esses seres, em busca de explicações que todos nós procuramos. O fato deles terem mais tempo para isso, e matarem várias pessoas durante essa busca só dá mais um toque às histórias. Logo, você se identifica com o "autor" (o vampiro) da narrativa, e olha com outros olhos os humanos que estão presentes. Olha com os olhos de um vampiro, e as mortes que o cercam não o afetam tanto quanto antes. Talvez aí esteja parte do fascínio da obra. Quem não quer ser um vampiro depois de ler esses livros? Mesmo depois de tudo o que foi descrito, tudo o que se deve abrir mão?

Por terem afinidade e questões em comum, seria normal a semelhança entre os relatos. Mudaria apenas o local onde vive o humano vampiro em potencial (New Orléans, Paris, Veneza...), com dados históricos verídicos e enriquecidos pela autora. O vampiro-mestre que o cria, com toda sua origem e filosofia e as provações e horrores por que passa através dos séculos até os dias atuais. Além de outros vampiros que, por ventura, aparecessem na frente. Assim se passa no proprio "Entrevista...", "O Vampiro Lestat", "Pandora" e "O Vampiro Armand" (e, provavelmente, em "Vampire Vicctorio" (2000)). Criticando, seria a reutilização da velha fórmula. O que muda é justamente a personalidade do retratado, onde se destaca o melhor de todos: Lestat. Tanto, que do ponto de vista dele, partem 4 livros da série. Um vampiro, como todo bom predador, possui sentidos muito superiores, de modo que retrata mínimos detalhes do ambiente, principalmente dos objetos que gosta. Cri-criticando, é um belo método enche-linguiça. Mas também depende do morto-vivo em questão. Pandora (em "Pandora", oras!) é mais pragmática (afinal, é romana) e, portanto, não se atrela tanto a detalhes: é o menor livro da série. E o único estrelado por uma "vampira", do começo ao fim. Pois, apesar de marcantes personagens "femininos" (a começar por Cláudia), a presença ""masculina"" é muito mais forte. As aspas duplas significam, não só a falta de sentido quando falamos de masculino/feminino em relação ao nosferatu em questão, mas também pela alta boiolagem que rola nas entrelinhas. Isso é fato, principalmente nos livros "anos 90" da série. Apesar de um dos lados não ser humano, a maioria dos lances rola entre um vampiro e um "jovem bonito".

Mas esse "esquema" foge quando nos deparamos com "Rainha dos Condenados" (1988), apesar dos diversos vampiros apresentados nessa edição (uma verdadeira convenção!) terem suas origens descritas dessa forma. E em "Memmoch, o Demônio" (1995), que conta, não a origem de um vampiro, mas do próprio demônio! Mas principalmente em "A História do Ladrão de Corpos" (1992), que se enquadraria mais no gênero "aventura" que qualquer outro da série! (ainda bem que só esse!). Só p/ finalizar o comentário geral, antes de iniciar os comentários particulares sobre cada livro, os leitores mais atentos devem perceber alguns deslizes da autora de uma obra para outra. No decorrer dos livros, há certos encontros entre as entidades, que são recontadas em outros volumes, sob outra visão. Não são erros de ponto de vista ou nada assim, são erros até grosseiros, como troca de nomes, lugares e anos. Mas o que é tudo isso para um vampiro?

[]s
Sovi, o que observa e está sempre presente

(publicado originalmente no aSASzine! Edição no. 2 em 30/05/2000. Uma das minhas primeiras tentativas de publicar algo na Net. Nunca escrevi sobre nenhum livro da autora em particular, mas espero debitar essa dívida aqui)

sábado, abril 15, 2006

Eu, Ro-bobo,

Nova edição. Prefiro a capa da edição do Círculo do Livro Will Smith quebrando tudo... Não, ainda não assisti "Eu, Robô". Mas estive vendo o teaser e as cenas promocionais. Me parece a pior estréia do ano. Supera até "Mulher Gato". Como? Eu não vou assistir "Mulher Gato", nem ferrando. Uma, que tem gato no meio... Outra, só de olhar para o cartaz, vc vê o quanto é ruim... a máscara, o "uniforme", a atriz... Tudo ruim e de mau gosto... Mas "Mulher-Gato" nunca foi grande coisa, mesmo... O problema, é que "Eu, Robo", mexe com Asimov... Aí, é outra história. Por que denegrir sua obra?

Se eu não assisti (nem acho que vou), pq essa revolta? Bem, acompanhem meu raciocínio:
Em tempo: o "herói" deveria ser "A" robopsicóloga Susan Calvin, já que o livro "Eu, Robo" acompanha a trajetória de sua carreira na U.S. Robotics (alguem aqui pensou em modens?), e nos casos que resolveu junto aos maus funcionamentos e enigmas relacionados aos robôs e as Três Leis da Robótica... Enfim, perdemos uma Heroína, e ganhamos Will Smith...

Temos o Will Smith, agindo como agente do MIB. E não há ação nos livros do Asimov! Pode haver alguma, mas bem pouca. A ação é psicológia, e através de tomada de decisões feitas a partir de lógica, conhecimento (e alguma política). Não se resolvia as coisas no braço... com explosões, perseguições de carros, lasers disparados p/ todo lado, enfim, tudo aquilo que já vimos e continuaremos a ver em todos filmes hollywoodianos...

Outros pontos: Will Smith digindo seu super-possante, em uma pusta avenida de de umas 15 pistas, sozinho com seus pensamentos... Meu, não há carros, nem avenidas, nem sozinho, nos livros de Asimov, principalmente no período "Eu, Robo", e obras "robóticas". Tudo gira em cima da superpopulação, sem espaço p/ nada, todo mundo andando a pé, comendo leveduras, todos os espaços comunitários, etc... Futuro idílico, só p/ americano ver, mesmo... Outra cena: prédios futurista altíssimos, sobre o lindo céu azul de brigadeiro... Nos livros (principalmente em "Caça aos Robos", de onde parece vir a maior parte da influência do filme, já que "Eu, Robo", não há nada de nada), os terrestres vivem enfurnados nas "Cavernas de Ferro", cidades gigantescas, totalmente fechadas, onde todos em geral viviam com aerofobia - ninguém saía p/ fora, nem ferrando... só os robos...

Não foi só Homero que foi deturpado... Talvez seja até um bom filmeco de ação, divertido... Como Tróia parece ter sido, mesmo jogando 3 mil anos da obra de Homero no lixo... Se alguém assistir, sem minhas reservas, me diga. Pois,desde já, tem minha antipatia...

Asimov deve estar revendo as leis da robótica nesse momento, no túmulo... Sobretudo, a 1a. Lei...

[]s
Eu, Sovi

(publicado originalmente em 05/08/2004 na lista ETECA. Vi o filme em DVD, no fim do ano passado (dez/05), e não mudei uma linha da minha "pré-critica". Só acrescentei a ultima oração, por motivos evidentes....)

Adendo em 27/04/2006

As 3 Leis da Robótica são (em tradução livre):
1a. Não causar qualquer mal a um ser humano, ou por omissão, deixar que algum mal lhe aconteça;
2a. Obedecer a todas as ordens dadas por seres humanos, a menos que contradiga a 1a. Lei;
3a. Preservar sua própria integridade, a menos que contradiga a 1a. e 2a. lei.

sexta-feira, abril 14, 2006

Feliz Páscoa, Bagdá

Easter os abençoem

Não há muito mais o que se comentar da guerra EUA & Cupinchas Vs Iraque. Qualquer um que tivesse a menor sobra de dúvidas sobre as intenções econômicas americanas sobre o Iraque e a Europa, não deve ter mais. É tão revoltante, que nem dá mais para comentar. Nessas ocasiões, dá raiva fazer parte da raça humana. Quem sabe se essa gripe asiática matar uns 4/5 da Humanidade, a vida humana passa a valer mais. Ao menos, esse quebra deve estar acabando. Mais uma semana, e a nova bandeira iraquiana (branca e vermelha listados, com uma área azul em cima e a esquerda, onde está a a lua crescente branca rodeada por estrelas) será hasteada. Seria muito irônico se tudo acabasse na Páscoa. Afinal, foi lá que isso (a Páscoa) teve início, pelos idos da Mesopotâmia.

É legal saber essas coisas que os outros ignoram, mesmo que no fim não faça a menor diferença! Como ver o pessoal comemorando a Páscoa, sem ter a menor idéia que é uma das festas mais antigas do mundo.Pagã, obviamente. Muito mais que o Carnaval. E com pouquíssimas alterações, pelo menos no que se refere a festa (vai tirar uma festa do povo, para ver o que vc ganha!) e a troca de ovos - símbolo da alma em quase todas as religiôes ocidentais, pois é de origem na religião Dualista persa (assim falou Zaratrusta - que entre a musica tema do 2001! tum tum tum tum). Já o coelho é um simbolo de fertilidade europeu, inglês se não me engano. para verem como isso vai longe. A deusa da vida e da fertilidade babilônica/mesopotâmica, Ishtar, ou Deusa do Leste, para quem a festa da "Páscoa" era direcionada, era principal divindade feminina (e a segunda no panteão, perdendo apenas para Marduc, deus de ouro, protetor da Babilônia), e acabou se espalhando pelo mundo, por ser uma "deusa do bem" (apesar de em diferentes versões da páscoa por aí, incluirem sacrifícios, inclusive de gente). Ela acabou sendo Estere, na europa pré-cristã, e Astarte, na Ásia menor. Daí, vem o termo Easter (Happy Easter, folks!), que nada tem a ver com East (bem, mais ou menos), muito menos Páscoa. Daí, como a festa estava pronta (e como disse, vai tirar uma festa do povo...), caia num domingo, dia sagrado para os romanos (os EUA da época) e era muito mais fácil integrar (e atrair ainda mais adeptos) do que tentar sufocar (e vai enfrentar romanos...), não foi difícil encontrar um contexto cristão para a festa. É só alegria. E mesmo depois de tantos anos, tantas mudanças de nomes, povos e regionalismos diversos, tantos Concílios, ainda comemoramos as dádivas da deusa Ishtar todo ano...

Menos em Bagdá...

[]s
Sovi, escapando a nado pelo Rio Eufrates

(Primeiro post. Aproveitando o tema do feriado que se aproxima e da guerra que não termina. Escrevi isso em 09/04/2003 para a lista de discusão Eteca, talvez minha principal fonte de textos)