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terça-feira, maio 16, 2006

São Paulo em Sítio - Parte II

Cidadão ficam presos ao voltar do trabalho...

Domingo, foram mais de 70 ônibus queimados. Era DOMINGO a NOITE! Tinha algum outro ônibus na rua, além desses? Faltou é ônibus para ser depredado! Isso para dizer o mínimo, por mais impressionante que uma pira urbana dessas queimando, seja. O que dizer dos policiais (e outras autoridades, bombeiros, GUARDA FLORESTAL! - covardia pura) mortos. Esse baque é ainda pior. Se não há segurança pública para quem faz parte da própria corporação, quem dizer para nós?

A gravidade da situação parece ser amenizada para a população, por uma série de fatores. Para começar, é fim de semana, e ainda, Dia das Mães. O foco era a compra de presentes e o almoço familiar. Afinal, numa sociedade de violência banalizada, era apenas um teaser dos noticiários das 18h. Gente assassinada e mães chorando fazem parte do entretenimento televisivo nesse horário. Rebeliões também são rotinas - e como todos os presídios se parecem, a dimensão não fica aparente.

Mas agora, segunda-feira, e é dia útil. As pessoas vão para o trabalho, e notam uma estranha atmosfera no ar. Para começar, não há ônibus nas ruas. Além dos "queimados", as empresas se recusam a liberar outros carros - quem asseguraria seu patrimônio? Só que esse efeito também foi um tanto arrefecido - o paulistano está acostumado a greves de ônibus, e a se safar para conseguir chegar ao trabalho de formas alternativas, quando necessário.

Mas não estão acostumados a serem "bombardeados" com tantas informações de ataques e violência, fora dos horários padronizados dos repórteres policiais. A polícia fazendo barulho nas ruas, ostentando sua bandeira. E logo a onda de BOATOS se espalha, criando sua própria rede de informações falsas, porém muito plausíveis nesse cenário de caos e pouca confiança nas forças oficiais investidas.

Essa é a verdadeira força do ato terrorista. O terror. Não é preciso fazer nada - as pessoas criam os atos de horror em suas próprias mentes férteis e línguas-soltas. E temos alerta de bombas em aeroportos, toque de recolher, transportes públicos paralisados a partir de certa hora. Todos comentam, ninguém se concentra no trabalho, as empresas não sabem o que fazer, e na dúvida, liberam o pessoal antes do término do expediente - isso, sim!, duvido que haja precedentes. E lá vai o povo para casa, enfrentar a falta de ônibus, o transito caótico e o maior engarrafamento do ano na cidade. E pouco mais a noite, tudo vazio - todos recolhidos em casa, obedecendo a um toque de recolher que nunca foi emitido. E tem gente que ainda estava feliz, porque saiu do trabalho mais cedo...

[]s
Sovi, aquartelado

(ainda não acabou!)

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