Estávamos nos primórdios da era dos 16 bits. E estávamos nos primórdios de nossas vidas também: eu, o Hildo, o Jomar e o Agnaldo. Estávamos em 1991. E tínhamos um recém lançado Super Famicom (na verdade, era do Jomar, mas...). E apenas três cartuchos: "Super Mario World", "Final Fight!" e "F-Zero". Já jogados a exaustão. Precisávamos de um novo game. Não sei quem, mas se descolou o endereço de um muambeiro, que trazia. Só que ficava num lugar de outra cidade, São Caetanodo Sul, depois da divisa.
Percorremos ao Guia de Mapas de São Paulo. O ponto de ônibus mais "próximo" dos ônibus que conhecíamos parava no inicio da Avenida Renata, no meio da Zona Leste. Tínhamos (o Jomar tinha) grana para a fita, mas não para buso nenhum. Sem saber direito como chegar, decidiu-use ir a um ponto “próximo”, e seguir “parte” do caminho a pé. Cabacisse geral. Vão vendo...
Descemos a Avenida Renata lá pela 09h00. Animados pela companhia, pelo passeio e pela perspectiva de uma nova fita. Não só no sentido figurado - é um decidão mesmo. E tudo que desce, vira subida mais para frente. Quando começamos a subir, começamos a subir MESMO. Tivemos que atravessar a Vila Alpina, não tem esse nome à toa... Mas antes, passamos pela Vila Formosa, Vila Ema, Vila Margarida, Vila Ivone, Jardim Independência, Vila Prudente, e outros recônditos da ZL, atravessamos a Sapopemba, a Anhanhanhaia Melo, a Oratório, a Costas Barros, e em algum momento, a Avenida do Estado. Virava uma rua, atravessava outra, desvirava a próxima. Uma verdadeira peregrinação. Pegamos sol, pegamos chuva. Um verdadeiro senhor dos anéis!
Para encurtar a historia, chegamos ao dito lugar TRÊS DA TARDE. Cansados (todos com o característico físico de adolescente nerd, imaginem o estado), famintos (sem grana para buso, imagine para almoço) e esfarrapados (nem sei como deixaram a gente entrar - vai ver, estavam acostumados a receber esse tipo de gente).
O importante e que chegamos a terra de Mordor, ops, digo, comprarmos o tal jogo. Não participei das negociações (não tinha lá cabeça para mais nada), mas a fita que buscávamos já havia sido vendida, ou o dinheiro não dava. Só sei que para não perder a viagem (e o Jomar, a vida), acabou comprando outra, a Actraiser.
Aí entra mais um detalhe, que não estava planejado ainda: voltar... Mais uma vez, uma caminhada ate um ponto de ônibus conhecido o suficiente, para pegar um ônibus para casa. Chegamos quase as 20 h. Tempo suficiente para colocar o cartucho, que, lógico, não funcionou de primeira, nos deixando naquela tensão frustrante. Na verdade, o jogo demorava um pouco para "carregar", a tela ficava toda "apagada", ate que o logo aparecesse e se movimentasse. Mais cabacisse...
Demos start. Caímos numa "nuvem", que so andava para lá e para cá. Conseguimos chegar a um menu cheio das opções - EM JAPONÊS, óvius. Não sei como, mas chegamos a opção certa do menu, estando na posição certa no mapa. E entramos na porrada! (isto é, na ação do jogo propriamente dito - sem bem que quase rolou porrada de verdade, naquela altura do campeonato).
Matamos uns monstrinhos, tomamos umas bifas, até chegamos no primeiro mestre. E morremos.
Ai já era tarde pra caramba e fomos cada um para seu canto, lamber as feridas.
Mas não se enganem. Valeu MUITO a pena ter esse jogo (depois que aprendemos como jogar). Um dos melhores lançamentos para Super Nintendo.
[ ]s,
Sovi, o peregrino

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